A questão da homossexualidade tem tomado conta da agenda midiática. Contra e a favor, Feliciano, Bolsonaro, Wyllys, Mercury, Joelma. Entendo que as pessoas têm suas opiniões e crenças pessoais e que cada um faz o que quer da vida se isso não prejudicar o outro.
Essa é a razão pela qual pode, mas não é obrigatório, saltar de paraquedas, imitar a Madonna, praticar yoga, casar virgem, ouvir Ramones, pintar o cabelo, acreditar em Deus, ver novela, ser corinthiano, dar no primeiro encontro, cantar aquela canção do Roberto, rezar pra São Judas Tadeu, tocar violino, ler Paulo Coelho, ir ao cinema, torcer pro Fluminense, fazer plástica, andar de bicicleta, estudar Machado de Assis, usar lente de contato, beber café, fazer tatuagem, falar grego, preferir chocolate a guaraná, jogar Tetris. Essas - e muitas outras - são atividades individuais, que não interferem na vida alheia.
É por isso que eu acho absurda a celeuma que o tema do casamento entre pessoas do mesmo sexo está causando. É uma questão de "foro íntimo", no sentido de que, se isso for previsto em lei, não obrigará as pessoas a obedecê-los. Quero dizer, se o casamento entre pessoas do mesmo sexo for previsto em lei, não significa que eu - que tenho um relacionamento de quase 20 anos com um homem que amo - vou ter que casar com outra mulher. Significa, apenas, que será permitido que duas mulheres ou dois homens se casem se eles assim desejarem. E não se trata de casamento religioso, mas civil. Porque o Estado é laico.
Não sou ingênua e sei que a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo não é simples assim e que envolve pressões fortes de grupos religiosos, preconceitos arraigados, medos inominados. Mas que eu saiba não há lei no Brasil que proíba a prática homossexual. Porque, é claro, para que não se volte à barbárie, a sociedade precisa de leis que a regulem e às quais cabe aos cidadãos obedecer.Ou seja, se for proibido, não pode.
Mas eu continuo achando que, dentro do universo das coisas que "pode", a única coisa que deve ser obrigatória na vida é a liberdade.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
sexta-feira, 15 de março de 2013
quarta-feira, 13 de março de 2013
O primeiro conclave a gente nunca esquece
Habemus Papam! Hoje foi proclamado Papa Francisco o argentino Jorge Mario Bergoglio. Foi o segundo conclave ao qual assisti. Na verdade, mal assisti este. Porque acho que é o primeiro conclave o que a gente nunca esquece...
João Paulo II tornou-se papa apenas dois anos depois que nasci e teve um longo pontificado: morreu em 2005. Naquela altura, havia sido quase minha vida inteira e um só papa. E não era um papa qualquer: ele tinha muito carisma, parecia muito bondoso e tinha aquele gesto emblemático de beijar o solo dos países que visitava. Era uma figura muito forte, "sin perder la ternura".
Morto "João de Deus" - a torcida do fluminense canta em sua memória até hoje nos estádios - veio meu primeiro conclave. O páreo era bem mais óbvio que este que terminou hoje. Ratzinger tinha um posto importante, era muito próximo de João Paulo II. A gente, mesmo sem entender muito de Vaticano, meio que sabia que ele seria escolhido. A única credencial que eu conhecia dele era que, em um posto ocupado numa instância que outrora fora o Tribunal da Inquisição, havia condenado Leonardo Boff ao silêncio. Não precisava de mais.
Mas, mesmo assim, era a primeira vez que eu via aquela situação pela TV. Sabia dos ritos, de como seria, do anúncio, da fumaça branca etc. Lembro de ter ficado muito atenta.
Agora, acho que foi uma situação meio anticlímax. O papa não morreu, renunciou. E o fez em um contexto politicamente complicado. Vai morar pertinho de onde morará o Papa Francisco, o que deixa dúvidas se vai continuar tendo influência sobre o poder ou se recolher de fato. O conclave demorou a começar se pensarmos que o fim do pontificado tinha data certa. A esfera política tomou um espaço maior desta vez, com o Vatileaks. Acho que com tantos fatos e também porque já tinha visto isso antes, não fiquei tão antenada a esse conclave.
Hoje, soube da fumacinha branca primeiro pelo Twitter. E só então comecei a acompanhar as notícias em "tempo real". Não sei muito sobre o Papa Francisco. Mas em seu primeiro "Urbe et Orbi" achei-o simpático. Vejamos o que será além disso.
João Paulo II tornou-se papa apenas dois anos depois que nasci e teve um longo pontificado: morreu em 2005. Naquela altura, havia sido quase minha vida inteira e um só papa. E não era um papa qualquer: ele tinha muito carisma, parecia muito bondoso e tinha aquele gesto emblemático de beijar o solo dos países que visitava. Era uma figura muito forte, "sin perder la ternura".
Morto "João de Deus" - a torcida do fluminense canta em sua memória até hoje nos estádios - veio meu primeiro conclave. O páreo era bem mais óbvio que este que terminou hoje. Ratzinger tinha um posto importante, era muito próximo de João Paulo II. A gente, mesmo sem entender muito de Vaticano, meio que sabia que ele seria escolhido. A única credencial que eu conhecia dele era que, em um posto ocupado numa instância que outrora fora o Tribunal da Inquisição, havia condenado Leonardo Boff ao silêncio. Não precisava de mais.
Mas, mesmo assim, era a primeira vez que eu via aquela situação pela TV. Sabia dos ritos, de como seria, do anúncio, da fumaça branca etc. Lembro de ter ficado muito atenta.
Agora, acho que foi uma situação meio anticlímax. O papa não morreu, renunciou. E o fez em um contexto politicamente complicado. Vai morar pertinho de onde morará o Papa Francisco, o que deixa dúvidas se vai continuar tendo influência sobre o poder ou se recolher de fato. O conclave demorou a começar se pensarmos que o fim do pontificado tinha data certa. A esfera política tomou um espaço maior desta vez, com o Vatileaks. Acho que com tantos fatos e também porque já tinha visto isso antes, não fiquei tão antenada a esse conclave.
Hoje, soube da fumacinha branca primeiro pelo Twitter. E só então comecei a acompanhar as notícias em "tempo real". Não sei muito sobre o Papa Francisco. Mas em seu primeiro "Urbe et Orbi" achei-o simpático. Vejamos o que será além disso.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Censura?
Não sei porque, hoje topei com vários assuntos relacionados ao tema "censura" ao longo do dia.
O primeiro e mais comentado é a vinda de Yoane Sánchez, jornalista e blogueira cubana ao Brasil. Ontem, ela não pôde assistir ao documentário Cuba-Honduras, no qual aparece, porque manifestantes (contra ela ou contra a presença dela) não permitiram. Saiu-se bem, dizendo que só na democracia se pode protestar. É verdade. Mas a pergunta que me fica é: por que alguém protestaria contra a jornalista? Ou alguém realmente acha que Cuba é um país livre? Se quem estava na Bahia tentasse se manifestar em Cuba, duvido que conseguisse. Claro que existem perguntas a serem feitas a Yoane: quem pagou a vinda dela é apenas uma dessas perguntas. Mas é óbvio que não é só sobre isso que os manifestantes queriam falar. Acho que está implícito que existe uma "simpatia" pelo regime castrista, uma tentativa de dizer que o Brasil, se não é amigo, ao menos simpatiza com o regime da Ilha. Lógico que a questão é bem mais complexa que isso, estou tratando apenas da superfície aqui. Por outro lado é meio absurdo ver nas redes sociais gente dizendo "abaixo o PT que cala Yoane". Oi? Como é que alguém fala contra a censura pedindo a censura do adversário político/filosófico/ideológico? Contrassenso, no mínimo.
Li também uma notícia sobre um processo contra um site que satirizava a Folha. Tudo bem, os leitores podem confundir o blog da Falha com o site da Folha (ainda que isso me lembre a polêmica história de leitores com o perfil do Homer) e a Folha tem que manter sua postura de jornalismo sério etc. Mas é um blog, num território livre (enquanto o marco civil regulatório não for aprovado no Brasil, isso tudo é um terreno muito arenoso). Senão, o que dizer de iniciativas como Sensacionalista e Piauí Herald e até do José Simão, que trabalha na própria Folha? Quem é que define quem pode e quem não pode tirar sarro?
Outra notícia de hoje é a campanha Tweet Censurado, da Anistia Internacional, que alerta para esta questão.
Tudo isso me fez pensar um pouco como é que a gente lida com informação e censura, isso que é o cerne daquilo que escolhi fazer pra viver. Não acredito que haja uma resposta simples, direta e única. A questão é complexa, muito além do "pode tudo" ou do "não pode mexer com quem tem poder". Vai além do "direita vs esquerda" (ah, Norberto Bobbio!) e do "a internet é terra de ninguém". Eu nem tenho uma opinião imutável sobre cada um desses assuntos que expus aqui. Mas acredito que tudo isso junto possa ser um bom material pra refletir sobre como é que definem os limites do que pode ou não, do que se deve ou não hoje em dia. Porque tudo é muito mais plural, diversificado e complexo do que antes de o Muro cair. Existe o certo, o errado e todo o resto. E ninguém ainda sabe direito quais são os limites disso - o que é o esvaziamento puro do "politicamente correto", o que é "direito de livre expressão". Mas, se de fato "é proibido proibir", todo mundo tem que saber quais são as regras do jogo, fortalecer seus argumentos, jogar limpo e não se condoer por pouco ou nada.
O primeiro e mais comentado é a vinda de Yoane Sánchez, jornalista e blogueira cubana ao Brasil. Ontem, ela não pôde assistir ao documentário Cuba-Honduras, no qual aparece, porque manifestantes (contra ela ou contra a presença dela) não permitiram. Saiu-se bem, dizendo que só na democracia se pode protestar. É verdade. Mas a pergunta que me fica é: por que alguém protestaria contra a jornalista? Ou alguém realmente acha que Cuba é um país livre? Se quem estava na Bahia tentasse se manifestar em Cuba, duvido que conseguisse. Claro que existem perguntas a serem feitas a Yoane: quem pagou a vinda dela é apenas uma dessas perguntas. Mas é óbvio que não é só sobre isso que os manifestantes queriam falar. Acho que está implícito que existe uma "simpatia" pelo regime castrista, uma tentativa de dizer que o Brasil, se não é amigo, ao menos simpatiza com o regime da Ilha. Lógico que a questão é bem mais complexa que isso, estou tratando apenas da superfície aqui. Por outro lado é meio absurdo ver nas redes sociais gente dizendo "abaixo o PT que cala Yoane". Oi? Como é que alguém fala contra a censura pedindo a censura do adversário político/filosófico/ideológico? Contrassenso, no mínimo.
Li também uma notícia sobre um processo contra um site que satirizava a Folha. Tudo bem, os leitores podem confundir o blog da Falha com o site da Folha (ainda que isso me lembre a polêmica história de leitores com o perfil do Homer) e a Folha tem que manter sua postura de jornalismo sério etc. Mas é um blog, num território livre (enquanto o marco civil regulatório não for aprovado no Brasil, isso tudo é um terreno muito arenoso). Senão, o que dizer de iniciativas como Sensacionalista e Piauí Herald e até do José Simão, que trabalha na própria Folha? Quem é que define quem pode e quem não pode tirar sarro?
Outra notícia de hoje é a campanha Tweet Censurado, da Anistia Internacional, que alerta para esta questão.
Tudo isso me fez pensar um pouco como é que a gente lida com informação e censura, isso que é o cerne daquilo que escolhi fazer pra viver. Não acredito que haja uma resposta simples, direta e única. A questão é complexa, muito além do "pode tudo" ou do "não pode mexer com quem tem poder". Vai além do "direita vs esquerda" (ah, Norberto Bobbio!) e do "a internet é terra de ninguém". Eu nem tenho uma opinião imutável sobre cada um desses assuntos que expus aqui. Mas acredito que tudo isso junto possa ser um bom material pra refletir sobre como é que definem os limites do que pode ou não, do que se deve ou não hoje em dia. Porque tudo é muito mais plural, diversificado e complexo do que antes de o Muro cair. Existe o certo, o errado e todo o resto. E ninguém ainda sabe direito quais são os limites disso - o que é o esvaziamento puro do "politicamente correto", o que é "direito de livre expressão". Mas, se de fato "é proibido proibir", todo mundo tem que saber quais são as regras do jogo, fortalecer seus argumentos, jogar limpo e não se condoer por pouco ou nada.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Para o vazio não passar em branco
Hoje está acabando o primeiro mês de 2013. E me dei conta de que ainda não havia postado nada no blog neste ano. Então resolvi postar, a despeito da gripe que me nubla os pensamentos, impulsionada por uma bela reflexão que li no Facebook.
Lendo um lindo texto alheio sobre filhos, releituras, cheiro de manhã e Mrs. Dalloway, percebi o quanto este mês foi, para mim, vazio de inspiração. O quanto me deixei entrar na roda viva autômata de trabalhar loucamente enquanto grande parte dos outros descansava, o quanto questões profundas e até metafísicas tiveram de ser substituídas pela vida prática e por resoluções e atitudes pragmáticas, o quanto tive de deixar o "sentir" de lado para "agir". O quanto me esvaziei.
Não que isso seja ruim. Eventualmente é necessário e bom até. Mas nesse caso, acho que sufoquei coisas que não queria ter sufocado. E hoje me percebo longe de um caminho que queria traçar, sem exercitar o que me é mais caro. Se janeiro está terminando, o ano ainda está começando. E eu acho que o desafio deste 2013, pra mim, será tentar equilibrar desejo, necessidade e vontade. Sem deixar nenhum dos pratinhos estatelar-se no chão.
Lendo um lindo texto alheio sobre filhos, releituras, cheiro de manhã e Mrs. Dalloway, percebi o quanto este mês foi, para mim, vazio de inspiração. O quanto me deixei entrar na roda viva autômata de trabalhar loucamente enquanto grande parte dos outros descansava, o quanto questões profundas e até metafísicas tiveram de ser substituídas pela vida prática e por resoluções e atitudes pragmáticas, o quanto tive de deixar o "sentir" de lado para "agir". O quanto me esvaziei.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Agüentando até 2016
Acabo de ler no jornal que o governo vai adiar a implantação completa e obrigatória acordo ortográfico para 2016. Isso, para mim, significa ter mais alguns anos de uma idéia brilhante, tranqüilidades trêmulas, lingüiças mais saborosas, pessoas mais bem-vindas, estréias mais novidadeiras e extrovertidas.
Gosto muito do trema, acho que ele agita a tranqüilidade e nos dá a dimensão de que nada é tão plácido assim. E gosto ainda mais do acento em idéia. O editorzinho de texto do blog já me diz, com minhoquinhas vermelhas, que idéia com acento não é uma boa ideia. Mas eu insisto nela. Não por saudosismo da velha regra, mas simplesmente porque acho-a mais iluminada e criativa do que uma ideia sem acento.
E agora, podemos continuar acertando, se quisermos: agüentar até 2016.
Gosto muito do trema, acho que ele agita a tranqüilidade e nos dá a dimensão de que nada é tão plácido assim. E gosto ainda mais do acento em idéia. O editorzinho de texto do blog já me diz, com minhoquinhas vermelhas, que idéia com acento não é uma boa ideia. Mas eu insisto nela. Não por saudosismo da velha regra, mas simplesmente porque acho-a mais iluminada e criativa do que uma ideia sem acento.
E agora, podemos continuar acertando, se quisermos: agüentar até 2016.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
"Para onde nos atrai o azul?"
Que me desculpem os 2 ou 3 leitores deste blog pela repetição de assunto, mas eu ainda
tenho algumas coisas a dizer sobre o meu salto de paraquedas.
Sempre fiquei muito impressionada com relatos de pessoas que
passaram por momentos difíceis na vida, superando doenças graves, por exemplo. É
recorrente essas pessoas dizerem como essas experiências mudaram suas vidas,
fizeram-nas repensar suas próprias existências, ajudaram a compreender o
“sentido da vida”.
Há um ditado que diz que se a gente não aprende pelo amor,
aprende pela dor. Eu tive a sorte de aprender pelo amor. Não quero dizer que
saltar de paraquedas seja o mesmo que passar por uma experiência grave. Só quem
passa por momentos extremos sabe o que isso significa. Mas o fato é que eu
realmente tive essa sensação, da dimensão imensa do mundo e da pequenez, da
insignificância da gente frente à natureza.
De lá de cima, o mundo é tão imenso, tão lindo, tão
maravilhoso, que a existência se torna pequena, que é possível sentir que você
é apenas parte daquilo tudo. E que se há algo transitório, somos nós, não o
mundo. Fica fácil não se ater a detalhes, a coisas pequenas, supérfluas e
superficiais. Lá em cima, somos tão pequenos e frágeis. Estamos à mercê do
vento, da gravidade. E a natureza quase nos protege, quase nos ameaça. Ela é imensa,
mas não imponente: é simples.
É absurdo nem sentir a queda. Não se sentir caindo é uma
prova de que somos tão pequenos. É poder ficar parado no ar, no silêncio. Como
se não houvesse a passagem do tempo nem a mudança do espaço. Como se não
houvesse som. É uma paz, uma beleza impactante e profunda. E a gente se sente
pequeno. Mas é preciso coragem e ousadia para ir lá experimentar. É preciso
grandeza de espírito para provar a irrelevância do corpo, para se imiscuir com
o mundo, para se jogar no nada sem rede de proteção, esperando que o paraquedas
abra para poder apreciar a vista – e a vida.
Assinar:
Postagens (Atom)
