quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Estiagem


Pela janela do segundo andar, olho o chão do pátio, úmido. Um pouco sem crer no que vejo, coloco os braços para fora e sinto as gotas caírem sobre a pele. Enfim, chove. E chove gentilmente. Uma chuvinha fina, tímida, mas teimosa; silenciosa e discreta, como quem entra num quarto pé ante pé, em segredo.

Depois de mais de dois meses de seca, a comoção foi tão grande que as redes sociais, onde todo mundo precisa se mostrar lindo e feliz, foram tomadas por danças da chuva e pedidos aos deuses para que a água caísse do céu. “O que você está pensando?”; “O que está acontecendo?”. A resposta era: chuva.

E é estranho ver como as pessoas estão celebrando a chuva, como uma tribo primitiva que vê na água um milagre. Fazia tanto tempo que, por um instante, foi como se tivéssemos visto aquilo pela primeira vez. E tudo se agitou: corpos, mentes e sensações. E a chuva fez brotar sorrisos nos rostos, lágrimas nos olhos e instinto nas almas. 

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